De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 20



Ah, Cristiano... Eu só quero que você não se esqueça de tudo, de todos os momentos bons que aconteceu entre nós, por mais que eu tenha te falado para você esquecer. E de repente caiu uma lágrima, involuntariamente, só por ter lembrado dele. Que saudade do seu abraço... Agora, só me restava seguir em frente.
Terminei meu banho. Olho para a vista que a janela do meu quarto possuía. Ah, Madrid! Me perdoa, te abandonei, não porque eu quis, acho que você entende. Quando essa tempestade passar, voltarei para você. Me arrumo e ligo para Bárbara para saber em que hospital Henrique estava. Ela passa aqui em casa para me buscar. Chego ao hospital. Bárbara não pode ficar, pois tinha que resolver uma coisa. Vou em direção a recepção.


-        Boa tarde, por favor, em que quarto está Henrique Caixeta? – Perguntei a recepcionista.
-        Bom, o senhor Caixeta está na UTI. Me diga seu nome para ver se a senhora pode ir vê-lo. – Disse a recepcionista.
-        Aline Honorato da Silva. – Respondi.
-        Aline... Aline... Ah! Achei, seu nome consta. Acesso liberado. Tome este crachá aqui. – Disse a recepcionista.
-        Obrigada. – Respondi.


Fui em direção a UTI. Que corredor enorme! Ouço uma voz de criança chamando pelo meu nome. Olho para trás, que surpresa! Era Eloíze, aquela menina dos olhos acinzentados.


-        Oi, pequena! Não acredito que ainda se lembra de mim! – Disse.
-        Como esqueceria de você, você salvou a vida da minha boneca. – Disse Eloíze me abraçando. Ah que abraço gostoso e verdadeiro. – Eu tenho que ir! Mamãe tá me chamando.
-        Claro, bonequinha. Se cuide viu! – Disse, soltei um singelo sorriso ao ver ela sorrindo para mim.


Continuei andando, até que chego aonde Henri estava. Avisto sua mãe.


-        Mariza? – Disse.
-        Óh Aline! – Disse Mariza me abraçando. – Que bom que estás aqui!
-        Calma, calma, eu to aqui. – Disse.


Olho pelo vidro, e o vi. Respirava com aparelhos respiratórios. Aparentemente ele estava bem. Eu disse ‘’aparentemente’’.


-        E esse braço enfaixado? – Perguntou-me Mariza.
-        Ah, eu envolvi-me em um acidente, lá em Madrid. Nada de grave, só quebrei o braço. – Respondi. – E como o Henri está?
-        Ai menina, ele fraturou o pulso, já passou por cirurgia, está em coma, sabe lá Deus quando vai acordar... Quebrou a bacia, já passou por cirurgia, e outras coisas mais.
-        Bom, vamos fazer uma oração?
-        Sim.


Nos ajoelhamos, ali mesmo, e oramos pela vida de Henrique. Logo depois, sugeri a Mariza, irmos até a lanchonete para comermos algo, assim ela se distraía. Ela aceitou. Assim fizemos. Nos sentamos em uma mesa.


-        Henri terminou o noivado com a Carla. – Disse Mariza.
-        O que? Ele ficou maluco? – Disse.
-        Bom, maluco por você ele sempre foi né... Por que você terminou com ele?
-        É difícil de explicar, mas Henrique nunca me deu motivos para isso, eu que sou uma boba mesmo!


Enquanto isso, no quarto em que Henrique estava, o médico que cuidava de seu caso, foi vê-lo.


-        Aline... Aline... – Disse Henrique mexendo os braços.
-        Aline? Quem é Aline? – Disse o médico.
-        Aline... Aline... – Disse Henrique, com a voz rouca.
-        Enfermeira! Enfermeira! – Gritou o médico.
-        Sim doutor. – Respondeu a enfermeira.
-        Quero que chame a dona Mariza. – Disse o médico.
-        Sim senhor.


Mariza e eu conversávamos, quando fomos interrompidas por uma enfermeira.


-        Dona Mariza, o doutor Carlos está lhe chamando! – Disse a enfermeira buscando ar.


Mariza e eu fomos em direção ao médico.


-        Quem é Aline? – Disse o médico
-        Sou eu! Eu sou Aline! – Disse. – Por quê? Como sabe meu nome?
-        Henrique saiu do estado de coma. E chamou por ‘Aline’. – Respondeu o médico.
-        Ah graças a Deus, meu filho se recuperou! – Disse Mariza quase não acreditando. – Posso ir vê-lo de perto?
-        Calma, calma, ele não se recuperou totalmente, só saiu do estado de coma. Se ele continuar assim, logo será transferido para o quarto. E Aline, você pode ir vê-lo, pois ele chamou pelo seu nome, isso pode ajudar a acelerar a recuperação. – Disse o médico.
-        Eu posso? Mas como? – Indaguei.


O médico apenas me olhou e não respondeu a pergunta. Entro, e vejo Henrique com os olhos fechados. Pego em sua mão, ah, que mãos macias. Um suave arrepio invade meu corpo. Fecho os olhos, todos os momentos vividos com Henrique passam em minha cabeça. Fui interrompida por uma voz rouca que chamava pelo meu nome.


-        Aline... Aline... – Disse Henrique.

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