De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 21



-        Shit Henri... Eu estou aqui! – Disse.
-        Que bom que você voltou... – Disse Henrique.
-        Eu voltei. Vim cuidar de você. Agora descanse! – Pedi.
-        Não, eu quero olhar mais um pouco para você. Quero olhar para seus olhos, sua face... A quem um dia me pertenceu... – Disse Henrique olhando em meus olhos, logo depois, adormeceu.


Os dias passam, e eu fiquei cada milésimo de segundo ao lado de Henrique que se recuperava aos poucos. Larissa veio até ao hospital, fazer-me companhia, já que eu havia dito à Mariza para ficar em sua casa e descansar. Larissa e eu estávamos na lanchonete do hospital. Na televisão começou a passar algo sobre a mãe do filho de Cristiano. Eu procurava desviar o olhar, mas não conseguia.


“Repórter: - E seu filho?
Irina: - Eu apenas gerarei essa criança, quando ela nascer, Cristiano que se vire com esse bebê! Eu acho que filho é fruto de amor, e esse bebê que carrego, não é fruto de amor. Não quero comprometer minha carreira.”


Eu simplesmente não acreditei naquelas palavras dela. Como ela teve coragem de abrir sua boca e falar essas palavras tão fúteis? Comecei a pensar em Cristiano. Como ele iria criar aquele filho sozinho?


-        Amiga, tá tudo bem? – Disse Larissa.
-        Não, não está. E agora? O que será de Cristiano? – Disse.
-        Ele deve estar arrasado...
-        Arrasado? Isso ainda é pouco. – Disse, logo fomos interrompidas pelo doutor Carlos.
-        Boa tarde, Henrique teve alta. – Disse doutor Carlos.
-        Alta? Que maravilha! – Disse, quase pulando de alegria.


Fui para o quarto de Henrique que já estava pronto para sair do hospital. Ligo para Mariza, dando a notícia, logo, ela chega para buscar-nos. Mariza deixa Larissa e eu em casa.
 No elevador do meu prédio...


-        Nossa, meu pai me mandou uma sms. – Disse.
-        E tá esperando o que para abrir a mensagem? – Disse Larissa.


‘Abrir mensagem’.


“Oi filha! Sua mãe e eu estamos chegando em SP. Iremos para o nosso apartamento. Espero te ver em breve. Beijos do seu pai.”


Eu não era muito ligada aos meus pais, mas eu sentia que dessa vez ia ser diferente, que ia mudar.


-        Que legal, Line, seus pais vão vir para São Paulo. – Disse Larissa.
-        É... – Respondi.


Os dias passam, e foi marcado um jantar na casa de Henrique. Iriam meus pais e eu. A última vez que uma reunião dessas aconteceu foi quando Henrique me pediu em namoro há dois anos. O jantar estava uma delícia, dona Mariza era uma cozinheira de mão cheia. Depois da sobremesa, fui para a varanda da casa, ‘’tomar um ar’’.


-        Obrigado por tudo! – Disse Henrique me abraçando por trás.
-        Por nada... – Disse.
-        Você foi luz na minha escuridão. Você foi minha ‘estrela-guia’...


Eu virei-me. Enquanto o vento acariciava nossos rostos, nos beijamos intensamente. Ah que saudade daquele beijo. Que saudade daquela boca macia... Dois anos sem sentir a boca de Henri junto a minha... Nossas almas pediam mais...


-        Isso não podia ter acontecido. – Disse.
-        Aconteceu porque a gente quis. Necessitávamos desse beijo... – Disse Henrique.
-        Eu disse para você me esquecer!
-        Eu tinha esquecido. Na verdade, eu acho que não esqueci, eu apenas superei, e aprendi a conviver com isso... Mas tudo voltou quando te vi novamente.
-        Por mais que eu ainda sinta algo muito forte por você, eu ainda amo Cristiano...
-        É tão duro e difícil ver você falando isso... Mas eu entendo. – Disse Henrique se afastando e entrando dentro de sua casa.


Eu continuei ali, observando a lua.


Em Madrid...


-        Sei que você está do outro lado... Vendo a lua, assim como eu também... – Disse Cristiano.

  De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 20



Ah, Cristiano... Eu só quero que você não se esqueça de tudo, de todos os momentos bons que aconteceu entre nós, por mais que eu tenha te falado para você esquecer. E de repente caiu uma lágrima, involuntariamente, só por ter lembrado dele. Que saudade do seu abraço... Agora, só me restava seguir em frente.
Terminei meu banho. Olho para a vista que a janela do meu quarto possuía. Ah, Madrid! Me perdoa, te abandonei, não porque eu quis, acho que você entende. Quando essa tempestade passar, voltarei para você. Me arrumo e ligo para Bárbara para saber em que hospital Henrique estava. Ela passa aqui em casa para me buscar. Chego ao hospital. Bárbara não pode ficar, pois tinha que resolver uma coisa. Vou em direção a recepção.


-        Boa tarde, por favor, em que quarto está Henrique Caixeta? – Perguntei a recepcionista.
-        Bom, o senhor Caixeta está na UTI. Me diga seu nome para ver se a senhora pode ir vê-lo. – Disse a recepcionista.
-        Aline Honorato da Silva. – Respondi.
-        Aline... Aline... Ah! Achei, seu nome consta. Acesso liberado. Tome este crachá aqui. – Disse a recepcionista.
-        Obrigada. – Respondi.


Fui em direção a UTI. Que corredor enorme! Ouço uma voz de criança chamando pelo meu nome. Olho para trás, que surpresa! Era Eloíze, aquela menina dos olhos acinzentados.


-        Oi, pequena! Não acredito que ainda se lembra de mim! – Disse.
-        Como esqueceria de você, você salvou a vida da minha boneca. – Disse Eloíze me abraçando. Ah que abraço gostoso e verdadeiro. – Eu tenho que ir! Mamãe tá me chamando.
-        Claro, bonequinha. Se cuide viu! – Disse, soltei um singelo sorriso ao ver ela sorrindo para mim.


Continuei andando, até que chego aonde Henri estava. Avisto sua mãe.


-        Mariza? – Disse.
-        Óh Aline! – Disse Mariza me abraçando. – Que bom que estás aqui!
-        Calma, calma, eu to aqui. – Disse.


Olho pelo vidro, e o vi. Respirava com aparelhos respiratórios. Aparentemente ele estava bem. Eu disse ‘’aparentemente’’.


-        E esse braço enfaixado? – Perguntou-me Mariza.
-        Ah, eu envolvi-me em um acidente, lá em Madrid. Nada de grave, só quebrei o braço. – Respondi. – E como o Henri está?
-        Ai menina, ele fraturou o pulso, já passou por cirurgia, está em coma, sabe lá Deus quando vai acordar... Quebrou a bacia, já passou por cirurgia, e outras coisas mais.
-        Bom, vamos fazer uma oração?
-        Sim.


Nos ajoelhamos, ali mesmo, e oramos pela vida de Henrique. Logo depois, sugeri a Mariza, irmos até a lanchonete para comermos algo, assim ela se distraía. Ela aceitou. Assim fizemos. Nos sentamos em uma mesa.


-        Henri terminou o noivado com a Carla. – Disse Mariza.
-        O que? Ele ficou maluco? – Disse.
-        Bom, maluco por você ele sempre foi né... Por que você terminou com ele?
-        É difícil de explicar, mas Henrique nunca me deu motivos para isso, eu que sou uma boba mesmo!


Enquanto isso, no quarto em que Henrique estava, o médico que cuidava de seu caso, foi vê-lo.


-        Aline... Aline... – Disse Henrique mexendo os braços.
-        Aline? Quem é Aline? – Disse o médico.
-        Aline... Aline... – Disse Henrique, com a voz rouca.
-        Enfermeira! Enfermeira! – Gritou o médico.
-        Sim doutor. – Respondeu a enfermeira.
-        Quero que chame a dona Mariza. – Disse o médico.
-        Sim senhor.


Mariza e eu conversávamos, quando fomos interrompidas por uma enfermeira.


-        Dona Mariza, o doutor Carlos está lhe chamando! – Disse a enfermeira buscando ar.


Mariza e eu fomos em direção ao médico.


-        Quem é Aline? – Disse o médico
-        Sou eu! Eu sou Aline! – Disse. – Por quê? Como sabe meu nome?
-        Henrique saiu do estado de coma. E chamou por ‘Aline’. – Respondeu o médico.
-        Ah graças a Deus, meu filho se recuperou! – Disse Mariza quase não acreditando. – Posso ir vê-lo de perto?
-        Calma, calma, ele não se recuperou totalmente, só saiu do estado de coma. Se ele continuar assim, logo será transferido para o quarto. E Aline, você pode ir vê-lo, pois ele chamou pelo seu nome, isso pode ajudar a acelerar a recuperação. – Disse o médico.
-        Eu posso? Mas como? – Indaguei.


O médico apenas me olhou e não respondeu a pergunta. Entro, e vejo Henrique com os olhos fechados. Pego em sua mão, ah, que mãos macias. Um suave arrepio invade meu corpo. Fecho os olhos, todos os momentos vividos com Henrique passam em minha cabeça. Fui interrompida por uma voz rouca que chamava pelo meu nome.


-        Aline... Aline... – Disse Henrique.
  
  De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 19



As dez horas de vôo passam lentamente. Nossa, pensei que nunca iria pousar e pisar em solo novamente. Chego ao Brasil. Fui retirar minhas malas, passo a mão em meu pescoço. 

-        Ai meu Deus! Cadê a medalhinha? – Disse eu, extremamente apavorada.

Mas um alívio exala quando passo a mão novamente em meu pescoço e a vejo. Fui para fora, procurar um táxi. Olho para o lado, e quase não acreditei no que vi. Dener? Sim, era ele mesmo! O que ele faria aqui?

-        Dener? – Gritei.
-        Aline! – Disse ele com um sorriso no rosto. – Nossa, pensei que não te viria tão cedo aqui no Brasil!
-        É, aconteceu um imprevisto, e voltei para cá.
-        É, você chegando e eu indo embora.
-        Pra onde você tá indo? Porque ainda estão longe suas férias.
-        To indo pra Ucrânia! O São Paulo FC me vendeu pro ‘Dínamo de Kiev’
-        U-CRÂ-NIA? – Um nó na minha garganta se formou. Quase não acreditei! Por mais que Dener e eu não fossemos tão amigos, mas ele era especial para mim.
-        Sim. Pelo menos lá eu adquiro mais experiência.
-        Realmente, seu futebol vai ser mais valorizado... – Disse eu, abaixando a cabeça.
-        Fiquei sabendo do que aconteceu com Cristiano...
-        É, é a vida... Vou seguir em frente, tentar passar uma borracha nisso. E você sabe o estado de saúde do Henri?
-        Sim! Ele continua no mesmo! Mas, Deus sabe o que faz né...
-        Verdade...
-        Bom, eu tenho que ir! Meu vôo será daqui a pouco... Sabe como está a fila do check-in?
-        Vazia. Deu sorte. E... Boa viajem, que Deus te proteja e te guie, te guarde nessa sua, digamos, vida nova né! – Disse soltando uma gargalhada.
-        Obrigadão! E, eu to aqui na sua torcida, pra você encontrar sua felicidade.
-        Obrigada! Vou precisar viu! E... Como anda sua paixão?
-        Ah, eu aprendi a esquecê-la, superei. Ela pertencia a outro cara!
-        Pertencia?
-        É... Bom eu tenho que ir mesmo! Beijos. – Disse Dener dando um beijo suave em minha bochecha e me abraçando.

É, lá se vai Dener. E eu ainda não achava um táxi para me levar rumo a minha casa. Depois de dois minutos, que para mim duraram uma eternidade, passou um táxi. Finalmente chego em casa, estava torcendo para que as meninas estivessem em casa, pois tinha deixado a chave. Toco a campainha. ‘Ding dong’. Larissa abre a porta, quase caiu dura no chão.

-        A...Aline? – Disse Larissa espantada.
-        Larissa! Não sou fantasma não, pode vir me abraçar! – Disse.
-        Ai amiga, que saudades! – Disse Larissa, me abraçando. - Voltou antes do que eu esperava. Fiquei sabendo do que aconteceu com Cris... Como você tá?
-        Péssima. To tentando esconder, mas, parece que tudo volta quando falam o nome dele! Me ajude aqui com essas malas.

Larissa me ajudou a colocar as malas dentro de casa. Sentei no sofá da sala.

-        Tá pensativa... – Disse Larissa.
-        Dener vai para a Ucrânia... – Disse.
-        É, é hoje né? Vou sentir falta daquele moreninho pagodeiro!
-        Sim, encontrei com ele no aeroporto. Amiga, cadê a Lee? – Disse, olhando para o lado.
-        Ela foi para a Argentina!
-        Argentina? Como assim? Com que autorização? Porque eu não deixei!
-        Calma, ela foi para lá de férias.
-        Tem alguma festa para ir hoje? Preciso esfriar a cabeça!
-        Hoje não, tem sexta.
-        Ok... Bom, vou tomar um banho e ir para o hospital ver Henrique.
-        Isso. Vai mesmo. Eu vou preparar algo para você comer.


Enquanto isso em Madrid...

-        Como assim ela já voltou para o Brasil? – Disse Cristiano.
-        É Cris, ela voltou... Você sabe como ela é... Tadinha, tá com o coração todo cheio de feridas... – Disse Laura.
-        E o pior, é que eu sou o culpado disso tudo. Eu quero sentir ela... Eu preciso ouvir a voz doce que só ela tem. Ela é a minha luz, que sempre está me guiando. Foi nela, onde encontrarei paz… Só ela é a força que me faz andar, é a vida para a minha alma... Me diga Laura, como poderei ficar melhor, sem a Aline? Só ela acalma as minhas tempestades, e ela me dá repouso, me segura em suas mãos... Ela é tudo que eu preciso. – Disse Cristiano com lágrimas rolando pela sua bela face.
-        Ô português mais apaixonado viu. Te vendo assim até corta o meu coração. – Disse Laura.
-        Eu não sei se corro atrás dela mas isso pode piorar a situação, não? – Perguntou Cristiano.
-        Olha Cris, deixa o tempo passar. Deixa o tempo... Deixa o tempo... – Disse Laura.


Eu estava no banho, pensando no estado de saúde do Henrique, quando Cristiano invade meus pensamentos.
  
  De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 18



Laura saiu do meu quarto. Meu celular toca. ‘C. Celico’ aparecia. Atendo.

“ – Aline, vamos nos encontrar em frente ao ‘Museu do Prado’. – Disse Carol.
-        Ok! Que horas? – Perguntei.
-        Que tal, agora?!
-        Agora?! Ok então... Vou me arrumar. Quando eu sair de casa te dou um toque.”

Levantei-me da minha cama, e fui tomar banho. Me arrumei. Peguei um taxi em destino ‘Museu do Prado’. Liguei para Carol avisando. Chegando lá, vejo-a.

-        Aline! – Disse Carol me abraçando. – Olha eu vou te levar para um lugar, um lugar que vai te ajudar.
-        Como assim me ajudar? – Indaguei.
-        Segredo! – Respondeu Carol.

Entrei em seu carro, e fomos rumo a esse tal lugar. Desconhecia a estrada, pensei que conhecia cada detalhe de Madrid, mas estava enganada.

-        Bom, chegamos! – Disse Carol estacionando o carro.
-        Nossa! Que lugar é esse? – Disse, fascinada.

Desci do carro, aquele lugar me trazia uma paz tão grande no meu coração, é como se inundasse rios no meu coração fazendo com que toda aquela chama de raiva se apagasse. Observo que uma folha cai ao chão, e o vento leva.

-        Ta vendo essa folha seca que caiu ao chão, e o vento a levou? – Perguntou Carol.
-        Sim. – Respondi.
-        Assim será o destino de você e Cristiano. De repente, vai cada um para o seu lugar... Ás vezes vocês podem ficar perdidos, vão necessitar um do outro para guiar. – Disse Carol.
-        Por que estou me sentindo traída?
-        Olha Line, mesmo daquela vez, você terminando com Cris, você ainda o amava e ele também. Mesmo ele ficando ao lado de outras mulheres, você era a dona do coração dele, e ainda é. E ele é o dono do seu coração.
-        Vou esquecê-lo.
-        O que? Ficou maluca?
-        Não. Não fiquei maluca. Acho que eu nasci para ficar sozinha mesmo! Pensa comigo, esse bebê só vai fazer com que Cristiano e essa modelo fiquem mais próximos, e eles podem até ficar juntos.
-        Ai Aline. Se você fizer isso, vai sofrer!
-        Minha decisão já está tomada! Será que você poderia me levar até o aeroporto, para comprar minha passagem.
-        Tudo bem.

Fomos para o aeroporto. Comprei minha passagem, voltaria para o Brasil semana que vem. Carol me deixa em casa. Laura havia saído. Eu estava em frente ao portão, procurava a chave dentro das milhões de coisas que havia na minha bolsa.

-        Achei! – Exclamei.

Olho para trás. Não acreditava no que via. Era ele. Eu apenas suspirei, e tentei encontrar fôlego.

-        O que faz aqui? – Perguntei.
-        Precisamos conversar, posso entrar? – Disse Cristiano.

Abri o portão, e Cristiano entrou. Sentei-me no sofá, Cris fez o mesmo.

-        Você já sabe da notícia né? – Perguntou Cristiano.
-        Que notícia? É claro que eu sei né! – Disse aumentando o tom de minha voz.
-        Você sabe que eu preciso de você... Estou enlouquecendo.
-        Volto para o Brasil semana que vem!
-        O que? Você acha que fugindo de mim vai me esquecer? Nem o tempo , nem a distância vai conseguir apagar o que a gente sente um pelo o outro.
-        Você vai ter seu filho. Casa-se com a mãe de seu filho. Formem uma família, e pronto.
-        Acha que é fácil? Acha que é fácil apagar esse sentimento tão belo que a gente tem? Quer saber? Acho que você nunca me amou! Porque se não, não taria aí, tentando achar uma forma para que eu te esqueça!
-        Nunca te amei?! Você invadindo meus pensamentos... Te sentir mesmo você estando longe de mim... É, nunca te amei...
-        Desculpa. Não foi a minha intenção te magoar...
-        Acho melhor você ir embora. Procura ficar bem. Eu acho que só... Ei, te amo.

Dei um beijo em Cris, ele se retira. Desabei em lágrimas, não sei como consegui segurar o choro. Vou para a sacada de meu quarto. As horas passam e o Sol se põe. A dor não se vai. Só de pensar que alguém vai ocupar meu espaço no coração de Cristiano, parecia que uma espada penetrava em meu peito. O que seria de mim agora?
Uma semana se passa. Chegou o dia de voltar para o Brasil. Nilmar me leva ao aeroporto, lá havia repórteres.

-        Aline, você e Cristiano ainda estão juntos? Ficou sabendo que ele será pai? E como reagiu a isso? – Perguntou uma repórter.
-        Não estamos juntos. E sim, fiquei sabendo que ele será pai, que essa criança venha ao mundo com saúde. – Respondi friamente.
-        E por que está voltando ao Brasil? – Perguntou um repórter.
-        Bom, fiquei sabendo do acidente de Henrique. To indo pra lá para ajudar no que for preciso, para dar apoio... Afinal, hoje somos amigos. Agora, com licença, preciso ir fazer o check-in! – Respondi.

Desviei dos repórteres. Fui para a fila do check-in. Chek-in feito. Vôo anunciado. Despedi-me de Nilmar.

-        Você tem certeza de sua decisão? – Perguntou Nilmar.
-        Sim. – Respondi.

Era mentira, não tinha certeza do que eu estava fazendo. Seriam mais dez horas de vôo. Cristiano novamente invadia meus pensamentos. Foi tão mágico como nossa história de amor aconteceu. E agora, se findou. 

  De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 17



-        Amor, faz o melhor que você achar!
-        Okay! Agora eu vou descansar.

Virei para o lado, a quem eu queria enganar? Queria voltar ao Brasil para ver Henrique, mas não poderia deixar Cristiano.
Os dias passam e tive alta. Nilmar vem me buscar.

-        Olha, aconteceu uma coisa, e quando você souber, mantenha a calma! – Disse Nilmar ao me ver.
-        Como assim ‘aconteceu uma coisa’? O que aconteceu? – Perguntei.
-        Logo você vai saber, a mídia não é fraca. – Disse Laura.
-        Vocês dois estão me deixando assustada! Tem a ver com Henrique? – Perguntei assustada e temerosa da resposta.
-        Não! Se acalme. Mas maninha, só te peço, quando você souber, não tome decisões precipitadas! – Disse Nilmar.

Eu apenas olhei para Nilmar com um olhar de medo, mas prometi não tomar nenhuma decisão precipitada. Deixei o hospital com o braço esquerdo enfaixado.
 No carro...

-        Cadê a Heleninha? – Perguntei.
-        Ela está com a Carol, vamos passar lá para pegá-la. – Respondeu Laura.

Chegamos à casa de Kaká, olho ao redor e percebo que o carro de Cris estava ali, estacionado. O que ele faria ali? Lucca foi quem nos recebeu. Logo em seguida veio Carol, com um olhar preocupante. Disfarcei ao ver Helena correndo em minha direção e gritando ‘’Tia Aline! Tia Aline!’’ Olho para a janela da sala e vejo Cristiano. Suspiro e disfarço.

-        Mamãe, mamãe, chama eles para o jantar! Deixa? Quero brincar mais com a Helena! – Disse Lucca cutucando Carol.
-        Ah, claro meu filho! – Respondeu Carol a Lucca – E então?

Eu apenas coloquei minhas mãos para trás e fiz figuinhas, torcendo para que Nilmar ou Laura dissessem ‘NÃO’. Não estava gostando daquele clima de tensão, eu achava que tudo iria se resolver se eu fugisse daquilo.

-        Por mim tudo bem! – Respondeu Laura já entrando na sala.

Não! Eu não acreditava nisso. Entrei na sala, cumprimentei Kaká, e Cristiano o cumprimentei como se fosse um desconhecido. Jantamos. Percebi que Kaká e Cristiano foram para o escritório da casa. O que eles tanto conversavam?

-        Podemos ir embora? Estou cansada, e essa dor no meu braço está me matando! – Disse.
-        Ok! Vamos todos! Você precisa mesmo descansar! – Disse Nilmar percebendo que eu não estava me sentindo bem.

Enfim chegamos em casa. Fui para o meu quarto, tomei um banho, e fui navegar na internet. Entro no Twitter e vejo uma tag nos tt's ‘CR7 é pai’ como assim pai? Voltou aquele caso de novo? Resolvi entrar em um site de notícias e vejo ‘Cristiano Ronaldo descobre que modelo russa está esperando um filho seu!’. Como assim? Fiquei sem ar, sem chão. Sem querer cliquei no link a qual abriria a notícia. Vi que ela estaria grávida de sete meses. Fiz as contas. Cristiano estava namorando Karla Monique há dois meses. E antes dela, teve um caso com essa modelo russa. E antes dela, eu. Por que isso agora? Tá certo que Cristiano não me traiu. Mas estava me sentindo traída, afinal, Cristiano sempre deixou bem claro tudo o que sentia por mim. E agora? Tudo o que ele disse e tudo que eu acreditei era mentira? Como o fogo inflama e se espalha assim a raiva tomou dentro do meu coração. O que eu faço agora? Liguei para Carol.

“ - Aline? Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Carol.
-        Sim Ca! Quero que você compre a primeira passagem de avião para o Brasil, não importa se o vôo é direto ou não. Preciso sair de Madrid urgente! – Respondi.
-        Como assim?
-        Isso mesmo que você ouviu! Não posso ficar aqui mais nem um segundo!
-        Você já viu a notícia né?
-        Impossível não ter visto!
-        Olha, fica calma. Amanhã eu vou aí e a gente conversa, ok?
-        Vou tentar! Beijo.”

‘Chamada encerrada’. Logo após, meu celular toca. ‘Cris ♥’ aparece. ‘Chamada Rejeitada’. Desliguei meu celular, pois conhecia Cristiano, iria ligar até que eu atendesse. Ouço o telefone de casa tocando. Escuto Nilmar dizendo ‘Cristiano? Sim, ela está.’ Fingi que estava dormindo. Nilmar bate na porta de meu quarto. Entra. Eu apenas o escuto dizendo ‘Cristiano, ela tá dormindo!’. Apenas respirei aliviada.
O dia amanhece. Sinto meu coração queimar, ferver, arder. Eu gostaria de simplesmente destruir aquilo que estava me machucando. Minha alma estava sendo esmagada como o peso de uma montanha. Resolvi não sair da cama. Mais tarde, ouço uma batida suave na porta. Era Laura.

-        Por que não desceu para tomar café da manhã? – Perguntou Laura.
-        Não to com vontade de comer, aliás, não to com vontade de fazer nada! – Respondi.
-        Você viu a notícia né? – Perguntou Laura, balancei minha cabeça dizendo que sim. – Olha, é complicado. Mas fugir não vai adiantar de nada!
-        Eu sei. Vou voltar para o Brasil.
-        Hein? Como assim?
-        Sim, eu vou não só por isso mas, por causa do Henrique.
-        Entendi. – Laura me abraçou.


No ct do Real Madrid...

-        Eu acho que ela já sabe! – Disse Cristiano.
-        Você tem que ir conversar com ela, sabe como a Aline é! – Disse Kaká.
-        Se ela atendesse meus telefonemas, eu até que tentaria!
-        Telefonemas? Você tem que ir falar com ela pessoalmente!
-        Ficou maluco? Não quero ver a cara de frustração dela!
-        Você errou, agora tem que concertar!
-        Fala como se eu tivesse traído dela.
-        Mas foi mesmo uma traição. Vocês dois não poderiam estar juntos naquela época, mas a alma de vocês estavam ligadas!



 

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