De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 19



As dez horas de vôo passam lentamente. Nossa, pensei que nunca iria pousar e pisar em solo novamente. Chego ao Brasil. Fui retirar minhas malas, passo a mão em meu pescoço. 

-        Ai meu Deus! Cadê a medalhinha? – Disse eu, extremamente apavorada.

Mas um alívio exala quando passo a mão novamente em meu pescoço e a vejo. Fui para fora, procurar um táxi. Olho para o lado, e quase não acreditei no que vi. Dener? Sim, era ele mesmo! O que ele faria aqui?

-        Dener? – Gritei.
-        Aline! – Disse ele com um sorriso no rosto. – Nossa, pensei que não te viria tão cedo aqui no Brasil!
-        É, aconteceu um imprevisto, e voltei para cá.
-        É, você chegando e eu indo embora.
-        Pra onde você tá indo? Porque ainda estão longe suas férias.
-        To indo pra Ucrânia! O São Paulo FC me vendeu pro ‘Dínamo de Kiev’
-        U-CRÂ-NIA? – Um nó na minha garganta se formou. Quase não acreditei! Por mais que Dener e eu não fossemos tão amigos, mas ele era especial para mim.
-        Sim. Pelo menos lá eu adquiro mais experiência.
-        Realmente, seu futebol vai ser mais valorizado... – Disse eu, abaixando a cabeça.
-        Fiquei sabendo do que aconteceu com Cristiano...
-        É, é a vida... Vou seguir em frente, tentar passar uma borracha nisso. E você sabe o estado de saúde do Henri?
-        Sim! Ele continua no mesmo! Mas, Deus sabe o que faz né...
-        Verdade...
-        Bom, eu tenho que ir! Meu vôo será daqui a pouco... Sabe como está a fila do check-in?
-        Vazia. Deu sorte. E... Boa viajem, que Deus te proteja e te guie, te guarde nessa sua, digamos, vida nova né! – Disse soltando uma gargalhada.
-        Obrigadão! E, eu to aqui na sua torcida, pra você encontrar sua felicidade.
-        Obrigada! Vou precisar viu! E... Como anda sua paixão?
-        Ah, eu aprendi a esquecê-la, superei. Ela pertencia a outro cara!
-        Pertencia?
-        É... Bom eu tenho que ir mesmo! Beijos. – Disse Dener dando um beijo suave em minha bochecha e me abraçando.

É, lá se vai Dener. E eu ainda não achava um táxi para me levar rumo a minha casa. Depois de dois minutos, que para mim duraram uma eternidade, passou um táxi. Finalmente chego em casa, estava torcendo para que as meninas estivessem em casa, pois tinha deixado a chave. Toco a campainha. ‘Ding dong’. Larissa abre a porta, quase caiu dura no chão.

-        A...Aline? – Disse Larissa espantada.
-        Larissa! Não sou fantasma não, pode vir me abraçar! – Disse.
-        Ai amiga, que saudades! – Disse Larissa, me abraçando. - Voltou antes do que eu esperava. Fiquei sabendo do que aconteceu com Cris... Como você tá?
-        Péssima. To tentando esconder, mas, parece que tudo volta quando falam o nome dele! Me ajude aqui com essas malas.

Larissa me ajudou a colocar as malas dentro de casa. Sentei no sofá da sala.

-        Tá pensativa... – Disse Larissa.
-        Dener vai para a Ucrânia... – Disse.
-        É, é hoje né? Vou sentir falta daquele moreninho pagodeiro!
-        Sim, encontrei com ele no aeroporto. Amiga, cadê a Lee? – Disse, olhando para o lado.
-        Ela foi para a Argentina!
-        Argentina? Como assim? Com que autorização? Porque eu não deixei!
-        Calma, ela foi para lá de férias.
-        Tem alguma festa para ir hoje? Preciso esfriar a cabeça!
-        Hoje não, tem sexta.
-        Ok... Bom, vou tomar um banho e ir para o hospital ver Henrique.
-        Isso. Vai mesmo. Eu vou preparar algo para você comer.


Enquanto isso em Madrid...

-        Como assim ela já voltou para o Brasil? – Disse Cristiano.
-        É Cris, ela voltou... Você sabe como ela é... Tadinha, tá com o coração todo cheio de feridas... – Disse Laura.
-        E o pior, é que eu sou o culpado disso tudo. Eu quero sentir ela... Eu preciso ouvir a voz doce que só ela tem. Ela é a minha luz, que sempre está me guiando. Foi nela, onde encontrarei paz… Só ela é a força que me faz andar, é a vida para a minha alma... Me diga Laura, como poderei ficar melhor, sem a Aline? Só ela acalma as minhas tempestades, e ela me dá repouso, me segura em suas mãos... Ela é tudo que eu preciso. – Disse Cristiano com lágrimas rolando pela sua bela face.
-        Ô português mais apaixonado viu. Te vendo assim até corta o meu coração. – Disse Laura.
-        Eu não sei se corro atrás dela mas isso pode piorar a situação, não? – Perguntou Cristiano.
-        Olha Cris, deixa o tempo passar. Deixa o tempo... Deixa o tempo... – Disse Laura.


Eu estava no banho, pensando no estado de saúde do Henrique, quando Cristiano invade meus pensamentos.

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