“Depois do Pôr do Sol”



   Prólogo:





Querido diário Verde,


Amanhã é o dia! O dia em que saio do Brasil e vou finalmente para a Alemanha morar com o meu pai!  Se estou ansiosa? (: mas é claro! Frio na barriga nível 1000! Agora que estou formada em jornalismo, fica mais fácil. Edson, o meu chefe, que dizer, ex-chefe, me transferiu para a sede de lá. Confesso que vou sentir falta daqui, falta de tudo! Mas nada disso se comparará a falta que sentirei de minha vó, a que me criou. )': Mas as fotos tiradas aqui, serão minhas lembranças.
Bom, eu vou ter que ir; terminar de arrumar minha malas e... Tentar dormir.

Natasha Reverbel."


- VÓÓÓÓÓ... A Senhora viu o carregador do meu notebook? - Eu disse.
- Não minha querida... - Disse minha amada e querida vó, a senhora Marisa.
- Vó... Não faz essa cara de choro... To aqui segurando minhas lágrimas... - Eu disse.
- Não vou chorar! Só que vou sentir muita falta de você chegar do trabalho e pedir colo... - Marisa.
- Sentirei falta do seu abraço, seu colo, suas palavras... Mas, ainda bem que a tecnologia evoluiu! Todo dia, vó, conversaremos pela web cam! Não vai ser a mesma coisa, mas... - Disse.
- Oh... Cuide bem de seu pai, e de seu irmão. - Marisa.
- Pode deixar. - Disse.

Naquele momento, Marisa me dá um beijo na testa, e me abraça. 

   De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 36
                - O final.


-        Como ela está doutor? – Disse Cristiano.
-        A cirurgia para retirar a bala foi feita com sucesso! Aos poucos ela se recupera. – Respondeu o doutor.

O médico sai do quarto em que eu estava.

-        Pensei que você estivesse morrendo, a dor que senti foi pior que milhões de facas penetrando o meu corpo, eu não sei o que seria de mim de hoje em diante sem você, eu não aprendi e talvez quem sabe, nunca aprenderei a viver sem você por perto, ou sem você ao meu lado, eu te amo muito. – Disse Cris chorando.

Aos poucos me recupero. Tenho alta. Cris está com Raphael no colo a minha espera. Choro com aquela cena.

-        Mamãe... Mamãe! – Disse Rapha.

O pego no colo. Vamos para casa de Cris. O meu bebê pega no sono. Na sala...

-        Por que escondeu isso de mim? – Disse Cris.
-        Descobri uma semana depois que você terminou tudo. – Respondi.
-        Mas por que escondestes?
-        Não ia fazer diferença se te contasse!
-        Não fale um absurdo desses!
-        Falo! Eu falo sim!
-        Para! Pode parar! Será que eu posso falar o que eu tenho a falar?
-        Você tem algo a falar?
-        Sim! Semana que vem é a premiação do melhor jogador do mundo, e eu quero que você vá comigo!
-        Claro. Sem problemas.

O dia da premiação chega.

“E o prêmio de melhor jogador do mundo do ano vai para... Cristiano Ronaldo!”

Todos aplaudem. Cris sobe até o palco para seu discurso. Depois de tanto agradecer...

-        Gostaria de pedir a atenção de todos. Durante minha vida, eu procurava a felicidade. Até que por misericórdia de Deus, Ele colocou uma estrela em minha vida, com o dom de me fazer feliz quando o mundo está desabando sobre mim. Seu nome é Aline, para quem não sabe. – Disse Cris, nesse momento minhas pernas ficaram bambas, ele ficara louco? – Aline... Casa comigo?

Logicamente quase tenho um surto ao ouvir “Aline... Casa comigo?”. O amor de minha vida, estava me pedindo em casamento... E ainda diante do mundo inteiro! É, todos tinham razão quando disseramque eu sou uma mulher de sorte... Mas creio que eles falavam isso porque era o Cristiano Ronaldo, o jogador, mas eu havia me apaixonado, e cativado por Cristiano Ronaldo, o meu Cris. Claro que aceitei. A festa foi linda, um momento inesquecível. Quando Raphael fez três anos, você Sophie, nasceu. Uma princesa linda, e é até hoje.

-        Nossa mamãe, que linda a sua história! Espero que um dia, eu encontre o verdadeiro amor. Com a sua vida, eu aprendi que, o amor verdadeiro, mesmo que o destino trame contra ele, mesmo a distância e o tempo, não conseguem apagar. – Disse Sophie.
-        Você vai achar minha filha, no momento certo. Pode acreditar, mas, desde o dia que você nasceu, Deus já escolheu o homem certo para você. – Disse.

Sophie me abraça.

-        Bom, mas agora vamos nos arrumar que seu irmão tem jogo hoje, e ele nos espera lá. – Disse.
-        To com saudades do papai. – Disse Sophie.
-        Eu também, mas fazer o que, ele está viajando a negócios.
-        É, eu que não quero namorar ou me casar com jogador de futebol, eles são muito ocupados, ainda mais se for um igual ao papai, depois vira presidente do clube.
-        É complicado. Mas a gente supera. Então... Vamos?
-        Sim.

Naquele dia, o time de base em que Raphael atuava venceu o adversário de quatro a zero. Hoje, Rapha está com 16 anos, Sophie com 13, eu espero mais um filho de Cristiano. Henrique se casou e é pai de cinco filhos. Letícia e Ganso se casaram. Larissa está noiva de Dener. Lucas e Marcelle estão casados.

“Haja o que houver, o verdadeiro amor permanece.”


         Fim. :-(


Agradecimentos:

Obrigada a todas as leitoras, a Marcelle Olímpio, Letícia Matias, Larissa Rosa, Débora Cleto, e claro, a Aline Roncada que aceitou em ser protagonista da web “De Madrid a São Paulo”. Vou sentir saudades de escrever essa web, afinal, foi através dela que me apaixonei por Madrid. Espero que tenham gostado, logo logo lançarei uma nova web série, não sei ao certo o nome, e onde se passará, mas aguardem. Obrigada por tudo, comentários, enfim, obrigada!

      - Nathália Ribeiro (@nathriibeiro)
   De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 35


-        Eu não entendo... – Disse Cris. Eu o interrompo.
-        Eu te amo... Sem pre te amei, e nunca vou deixar de te amar. – Disse.

Nos beijamos. Ah que saudade de sentir aqueles lábios nos meus... Ver ele sorrindo... O sorriso de Cris é a coisa mais linda do mundo.

-        A primeira coisa que desejo quando acordo pela manhã, é te ver... – Disse Cris sussurrando ao meu ouvido.

Nosso beijo foi interrompido por Raphael.

-        Mamãe? Mamãe? – Disse Raphael.

Nos viramos sem graça. Raphael e eu fomos para casa de Nilmar. Os dias se passam. Estava sozinha em casa, Laura e Nil levaram Helena e meu Rapha para ir brincar em alguns brinquedos do Shopping no centro. Estava assistindo um filme ‘comédia romântica’ não lembro do nome. A campainha toca.

-        Ia me esconder até quando? – Disse Cris me apertando por trás.
-        Do que você tá falando? – Disse assustada.
-        Do meu filho. Do nosso filho. Do Raphael!
-        Ficou maluco? Nunca engravidei, ainda mais de você... E você tá me machucando!
-        Desculpa. Mas o Raphael é meu filho né?
-        Não... Ficou maluco é? – Disse me virando.
-        Não mente para mim!
-        Não to mentindo!

Saímos e fomos para um parque, para conversarmos. De repente, avisto uma arma apontada em direção ao peito de Cris. A arma dispara, entro na frente de Cris.

“BANG”.

Caio ao chão, ferida e machucada, á beira da morte.

-        Cris... Cuide bem de Rapha... E sim, ele é seu... Seu... Filho! Pode fazer o tes...Teste de DNA! Te amo... Muito. – Disse procurando forças para falar. Desmaio.
   De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 34


 No avião para Madrid...

-        Se passaram dois anos, Rapha, mas o tempo e nem a distância conseguiu apagar o que sinto por seu pai. É engraçada essa coisa de amor não? – Disse para Rapha que dormia tranquilamente.

Nilmar já estava a nossa espera no aeroporto.

-        Mana! Meu Deus que saudades! Esse é o Raphael? – Disse Nilmar me abraçando.
-        Ai irmão, eu que senti saudades! Sim, lindo não? – Disse.
-        Se não fosse a cara do pai... Seria lindo.
-        Ai seu bobo!
-        Vamos? Laura e Helena estão ansiosas!

E assim fomos, passamos pela ‘Gran Via’. Estava mais perfeita do que nunca! Aliás, era semana de Natal, estava toda iluminada e linda, era como a ‘Avenida Paulista’. Chegamos a casa de Nil, estava toda enfeitada ‘decoração natalina’. O dia amanhece, Rapha e eu vamos até um parque, queria que ele sentisse Madrid na pele. Estávamos ali, ele de um lado e eu em sua frente, de uma curta distância, jogando a bola para Rapha  chutar de volta. De repente, Rapha não chuta a bola, fica ali parado.

-        Rapha, chuta a bola pra mamãe! – Disse.
-        Mamãe! Quitiano quitiano. – Disse Rapha.
-        Cristiano? Ficou maluco? Chuta a bola pra mim! – Disse.

Sinto uma mão macia pousar sobre meu ombro. Reconhecia aquele cheiro.

-        Continua bela como sempre. – Disse Cristiano.
-        E você com o sorriso brilhante, capaz de iluminar a cidade inteira! – Disse.
-        E quem é esse menino? – Disse Cris, engoli seco.
-        O Raphael? Ah, ele é meu primo. Eu e minha tia viemos para Madrid, chegamos ontem.
-        Eu me enganei ou... Ouvi ele te chamar de mãe?
-        Não, não se enganou não, ele sempre me chama de mãe, desde pequeno. Minha tia sai para trabalhar e deixa ele comigo, então ele passa a maior parte do tempo comigo.
-        Parece que eu me vejo pequeno quando olho para ele.
-        Ele é a sua cara não?  Eu desconfio que ele seja filho seu e não do meu tio. – Soltei um riso forçado. – E como vai Cristiano Júnior?
-        Ele tá ótimo, crescido.

Estávamos ali, sentados em meio às folhas de árvore que haviam caído no parque. Cristiano se divertia com Raphael. Pai e filho, embora não soubessem. Deveria contar? Não. Cris olha para um anel que havia em meu dedo.

-        Namorando ou noiva? – Disse Cris.
-        Han? Ah, nenhum dos dois. Até agora não consegui prosseguir minha vida amorosa. – Respondi.
-        Depois que você se foi... Ficou um buraco dentro do meu peito... Um vazio sem fim.
-        Lembrando que... Foi você que forçou isso.
-        Só queria te ver feliz.
-        Não entendes que... Você é uma das estrelas que completam a minha felicidade?
  De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 33

Uma semana se passa, eu ainda estava em Madrid, iria voltar para o Brasil na próxima semana. De manhã acordo com náuseas, Laura me diz para ir a um médico.

-        Senhora Aline, tu estás grávida de menos de uma semana! – Afirmou o doutor.
-        Grávida? – Disse quase não acreditando.

Saí do hospital, abismada, não era pra menos, estava esperando um filho, e de Cristiano ainda! O que faria? Decidi não contar a ele sobre isso.
Volto para o Brasil.

-        Ele fez o que? – Disse Henrique.
-        Isso mesmo que você ouviu... – Respondi.
-        E certamente você não vai voltar para mim... Vai contar a ele sobre o bebê?
-        Não e não.
-        Ele tem que saber.
-        Não vai mudar nada. Essa criança que carrego é a única parte que me deixa ligada a Cristiano, mesmo ele não sabendo.
-        Você não vai conseguir esquecê-lo. Minha pequena, mesmo não poder te ter, você ainda pode contar comigo.

Vou para meu apartamento onde morava com as meninas, bom, Letícia se muda para Santos, para ficar mais perto de seu amado, agora só resta, Larissa e eu. Vou para meu quarto e coloco Taylor Swift para tocar. ‘Missing you’.

“Toda hora que eu penso em você eu sempre perco meu fôlego, eu ainda estou esperando aqui, e suas milhas longe, e eu imagino por que você me deixou e há uma tempestade, que está anelando através do meu coração congelado esta noite. Eu ouço seu nome em certos círculos, e isso sempre me faz sorrir, eu desperdiço meu tempo apenas pensando em você, e isso está quase me deixando louca...”

Dois anos se passam. Dois anos sem ver Madrid. Dois anos sem ver Nilmar, Laura e Helena. Dois anos sem contato com Cristiano. Um ano e três meses, meu Raphael Honorato estava mais lindo do que nunca. Era um Cristiano Ronaldo em miniatura, como pode? Estava de férias da faculdade, decido ir para Madrid. Ah como era gostosa a sensação de ouvir Rapha dizendo ‘’mamãe’’. Uma experiência única, e extraordinária. Disseram-me que ser mãe era uma coisa sem palavras, agora, eu podia entender o que me falaram. Estava sentindo isso na pele. 
  De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 32 
    ”Acredite um dia você vai olhar pra trás, e dizer que sente falta.”      
                                     [Miley Cyrus]

E agora? O que seria de mim? Meu coração estava despedaçando aos poucos... Meu mundo estava desmoronando. Cheguei até ficar com raiva de Cristiano. Dor constante em mim, o Sol já não brilhava mais para mim. Estou perdida em um caminho que não sei se vou achar... Minha bússola não apontava mais pra direção certa. Fecho os olhos tentando buscar uma saída, mas a luz do farol está apagada. E a noite, as lágrimas vêm meus olhos molhar. Parecia que eu ia caindo num abismo sem fim. Quem iria me salvar?

-        Deus, por que me abandonastes? Por quê? – Disse em lamentos.

Tenho alta do hospital, sigo o tratamento e alcanço a cura da bulimia. Eu voltaria ou não para o Brasil? Sim, decisão tomada. Ia ser difícil prosseguir, continuar a jornada, mas tinha que erguer minha cabeça e seguir em frente. Terminar minha faculdade... Vou até a casa de Cristiano, dizer ‘adeus para sempre’. É, acho que, esse era o fim.

-        Que faz aqui? – Disse Cristiano surpreso.
-        Dar adeus. Já que... Não vamos mais nos ver... – Disse forçando para essas palavras saírem de minha boca.

Cristiano me puxa para dentro da sala, vamos até o quarto, onde beijamos intensamente. Talvez fosse o derradeiro toque de nossos lábios. E naquele quarto, quente, com o cheiro de Cristiano, fizemos... Seria nosso último toque? Acho que sim. Estávamos sendo consumidos pela força do amor. Desejávamos um ao outro. Era um desejo sem fim. A hora do adeus chegou.

-        Adeus Cris. – Disse segurando as lágrimas que forçavam em cair.
-        Adeus minha princesa. Bom, quer dizer, princesa, porque a partir de agora, você não é mais minha... Seja feliz com Henrique. – Disse Cristiano.
-        Henrique? Como assim? – Disse quase não acreditando.
-        Sim, ele poderá te fazer feliz, eu não.
-        Mas...
-        Mas nada. Quero que saiba que, por mais que difícil será, eu vou tentar te esquecer e espero que você também se esqueça. E que... Eu ainda te amo! Agora vá. Adeus.

Sai dali, aos prantos. Era noite, estava andando confusa pelas ruas nobres madrilenas, até que avisto uma igreja. Não sei como, mas, senti um anseio espantoso no meu coração em entrar ali. Entro e sento no último banco. Ouço o pastor pregando.

-        Deus não te abandonou! Quando Ele está em silêncio, é porque Ele está trabalhando! Não há luta sem vitória! A luta está grande? A vitória será maior! O dia de Sol jájá chega, tenha fé e confie em Deus, porque o Sol está atrás das nuvens, e na hora certa, ele irá brilhar!

Aquelas palavras foram como um refrigério em minha alma. Sentia como se um bálsamo de alívio exalasse sobre mim. O culto acaba, saio dali aliviada.

Na casa de Kaká.


-        Ficou maluco? – Disse Kaká.
-        Não. Ela estava infeliz ao meu lado. O lugar dela é ao lado de Henrique. – Afirmou Cristiano.
-        É, você ficou maluco. Você percebeu o que acabaste de fazer? Deixou sua felicidade ir embora!
-        Exatamente, ela estava presa em uma gaiola, como um pássaro. Soltei, e ela deveria voar.
-        Deveria, mais não quer voar.

Cheguei em casa. Chamei Laura para conversar.

-        É complicado... Mas o destino quis assim, por alguma razão... Lembre-se: Deus sempre tem o melhor a nos oferecer. – Disse Laura me dando um abraço.
-        Verdade. Já te disse que você é minha segunda mãe? – Disse.
-        Sério? – Disse Laura sorrindo.

Eu balancei a cabeça sinalizando que ‘sim’. È, seria difícil, mas eu tinha que continuar.
   De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 31

   “Mais difícil que dizer adeus, é ouvir alguém que você ama dizendo.”

-        Já almoçou? – Perguntou-me Cris.
-        Ainda não, meu príncipe... Por quê? – Respondi.
-        Espera aí, vou pegar um casaco. Fique aí! – Disse Cris.

Ele subiu as escadas, não demorou muito e já estava ali parado diante de mim, na sala. Fomos para um restaurante. Pedimos ‘Bacalao um Madrilena la’ (O peixe bacalhau é cozido com batatas, tomates, alho, cebola, azeite, água, pimenta preta, e um pouco de farinha.). Estava chovendo e fazia um frio daqueles, Cris me deixou em casa, e seguiu para a sua. Dormi a tarde toda. Acordo e ligo a televisão.

“Ian Somerhalder tá de namorada nova. Helen é o nome dela.”

-        Uau! Quem diria que Helen iria namorar Ian. Tá podendo. – Disse sentando-me.

Ah que tarde entediante com chuva então... Meu celular toca. ‘Cris<3’ no visor.

”- Oi? – Disse.
-        Preciso conversar contigo. – Disse Cris.”

O tom de voz dele era preocupante. Na hora marcada, nos encontramos.

-        Não podemos ficar juntos, não agora. – Afirmou Cris.
-        Como assim? – Disse indignada.
-        Olha, meu filho com Irina nasce daqui a menos de um mês. Eu ainda não sei como vai ficar tudo... Ainda to perdido...
-        Mas eu to aqui, eu to aqui pra isso, pra te dar força... Pra te dar chão!
-        Eu quero te fazer feliz, muito feliz... Ás vezes acho que não estou cumprindo esse meu desejo.
-        É claro que está! Você é o motivo de minha felicidade.
-        Eu sei que ainda sente algo por Henrique...
-        Por que isso agora?
-        Lembro do nosso primeiro beijo... Você nunca encontrará a pessoa certa, enquanto não deixar a pessoa errada ir embora.
-        Você está me chamando de “pessoa errada”?
-        Não entenda mal.
-        Não entenda mal? Ah por favor né Cristiano. Simplesmente, eu não estou entendendo mais nada!
-        Não podemos ficar juntos! Tenho um filho para criar, e esse filho vai me fazer lembrar que não é seu.
-        Você fala como se eu tivesse te obrigando a fazer isso.
-        Não queria que fosse assim... Sabe, não tá sendo fácil abrir mão da minha felicidade. Você é nova ainda... Tá cedo para se prender a uma pessoa que não sabe o que quer...
-        Então é isso. – Disse enxugando uma lágrima que sem perceber acabou rolando em meu rosto. – Você não sabe se me quer... Então tudo o que vivemos, tudo o que você me disse... Era uma ilusão!
-        Aline... Aline volta aqui!

Eu corri, corri para bem longe, corri até não ter mais forças.

-        Meu Deus, por que? Por que vida? Por que tens feito isso comigo? Qual é o teu problema felicidade? Por que? Por que? – Disse chorando, e caindo ao chão, de tanto chorar, já soluçava.

A sensação de vazio, coração acelerado, lembranças voltando. E agora? Agora, tenho que conseguir limpar essa bagunça que ele deixou… Será que é tão difícil ser feliz? Acho que meu nome não consta na lista de felicidade, só pode.
E à noite as lágrimas surgem para lembrar daquilo que não posso esquecer. Seria o fim? Eu me alimentava excessivamente, eu comia, mas depois ia discretamente ao banheiro e jogava tudo fora. Estava ficando enfraquecida.
Certo dia, desmaiei no meu quarto. Nilmar me levou ao hospital.

-        Como ela está doutor? – Disse Nilmar.
-        Ela está com bulimia! – Disse o doutor.
-        Bulimia? Mas como assim?
-        Bom, no caso de Aline, a bulimia ainda não atingiu o estado de ‘bulimia nervosa’. Ela sofreu algo emocional por esses tempos? Isso pode ser a causa disso tudo.
-        Sim.
-        Suspeitava dessa hipótese, bom, a recuperação vai ser demorada, mesmo ela não ter bulimia nervosa, mas é caso sério.
-        Ok doutor, o que posso fazer?
-        Você como irmão, tem que explicar a situação o quanto é grave... E que se ela continuar, vai se agravar o caso, ficará feia... Eu acredito que aquela bela jovem não vai querer perder a beleza radiante que possui.
-        Verdade, posso visitá-la?
-        No momento não, ela passará a noite em observação. Amanhã cedo, poderás vê-la.
-        Ok, e obrigado.

O médico se retira. Eu estava no quarto, acordada, pensando muito... Vai tristeza, vai embora… Deixa que a felicidade, isso é, se ela existir para mim, tome conta de mim.

“Lembrar é fácil pra quem tem memória, esquecer é difícil pra que tem coração.”
   De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 30
“Ah o amor ... que nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei porque...”
                              [ Carlos Drumond de Andrade]


-        Você se foi, sem ao menos dar tchau, e agora, me pego pensando em nós dois, e não consigo ver onde foi que eu errei... – Disse.

Interessante, eu não chorei, senti um aperto no coração, mas, foi de leve... Momentâneo... É como se eu tivesse a certeza de que o problema não era eu. Como se ele tivesse sido obrigado a falar que íamos ter que nos separar... Fui para casa. Subi até meu quarto, peguei meu note e mandei um e-mail para Cris.

“Um amor verdadeiro dura pra sempre, suporta qualquer obstáculo, qualquer briga, qualquer discussão, ciúme. Um amor verdadeiro nunca muda, é sempre o mesmo, pode ser aqui uma semana ou dez anos, se seu amor é verdadeiro sempre será o mesmo e vai durar pra sempre... Um amor verdadeiro não tem fim. Com você eu aprendi que o amor torna TUDO possível... E que o amor é capaz de tudo, ele te faz mudar, e mudar pra melhor, te faz ser feliz, faz você fazer coisas e dizer coisas que jamais pensou antes. O amor vence barreiras, vence a distância, o amor vence tudo... No amor tudo é possível, o amor te faz ver a vida com outros olhos. O amor te faz sorrir mesmo quando você percebe que está tudo perdido, é só você ouvir um ‘eu te amo’ e tudo muda, parece que tudo volta ao normal. O amor tem o poder de torna tudo possível, por mais que pareça impossível. A. Honorato.”

Fui até o ‘Plaza Mayor’. Estava sentada em uma das mesas, quando a avisto.

-        Marcelle? – Disse.
-        Aline! Nossa, que saudades de você amiga! – Disse Marcelle.
-        Quanto tempo... Não sabia que estava em Madrid...
-        Pois é, agora eu to morando aqui. Me mudei a pouco tempo.

Colocamos a conversa em dia.

-        Então, você topa? – Perguntei.
-        Claro, tudo para ajudar minha amiga. Eu vou descobrir o que aconteceu. – Disse Marcelle.
-        Aline? – Disse Lucas.
-        Ah, oi Lu! E aí... Curtindo Madrid? – Disse.
-        Claro né, cidade maravilhosa hein... E aí... Não vai me apresentar sua amiga? – Disse Lucas.
-        Ah é... Lu, essa é Marcelle, Marcelle, esse é Lucas. – Disse.
-        Prazer Lucas. – Disse Celle timidamente.
-        O prazer é todo meu. – Disse Lucas sorrindo.
-        Então, tudo certo para 2013 em hala Real Madrid? – Perguntei a Lucas.
-        Tudo certo, amanhã eu volto para o Brasil, tenho que acertar algumas coisas com o São Paulo... Enfim. Correria danada. – Respondeu Lucas.
-        Se muda quando? – Perguntei.
-        Na primeira semana do ano que vem. Essas férias nem vai dar para curtir... Só correria. – Disse Lu.
-        Vida de futebolista é assim mané.  – Disse.
-        Pois é... Bom meninas, eu vou indo... E, Marcelle, foi bom te conhecer. Fui. – Disse Lucas.

Percebi que Marcelle estava tendo uma queda por Lu, ou melhor, uma quedona. Fui para casa. Laura havia inscrito Helena em um concurso de ‘Talentos Infantis’. Helena canta muito, tem apenas cinco anos e já arrasa com o microfone na mão. Eu a ajudaria a treinar as músicas e tudo mais.
O dia da primeira apresentação chega. Percebo que ela está com medo.

-        Ei minha pequena, não tenha medo. Acredite em você, e faça o seu melhor. Você vai conseguir. Não temas. – Disse.

Ela me abraçou. Eu apenas escuto a chamada de Helena. Ela vai ao palco, e arrasa. Canta Avril Lavigne ‘Fall to Pieces’. Se classifica para a segunda fase. Laura e Helena vão para casa. Ela estava toda contente. Eu vou até um parque. Sento-me em um banco. Senti uma mão fria tocando em meu ombro.

-        Karla Monique? – Disse temerosa.
-        Olá Aline. Feliz por Ronaldo ter terminado com você? – Disse.
-        Como sabe?
-        Eu que pedi. Se ele não obedecesse, eu acabaria com você... Ah, tão ingênua... Cristiano agora é meu! Entendeu, só meu!
-        Acha que manipulando ele, você conseguirá seu amor?
-        Não estou manipulando ninguém. Ele ama somente a mim. E não a uma interesseira feito você!

Eu dou uma bofetada na cara de Karla ao ouvir me chamando de interesseira.

-        Interesseira é? Olha bem o jeito que você fala comigo! – Exclamei.
-        Vejo que mudou... Não é mais aquela garotinha boba e indefesa de antes...
-        Você acha que tirando o Cris de mim, vai conseguir alguma coisa?
-        Sim, sua vida destruída.
-        Sério, você tem problema. – Disse me afastando daquele local.

Fui até a casa de Cris. Uma empregada abre a porta.

-        O que faz aqui? – Disse Cris, logo depois ele sinaliza a sua empregada para sair dali.
-        Não acredito que está deixando Karla te manipular desse jeito... – Disse
-        Ela te encontrou? Aquela desgraçada. Ela fez algo com você.
-        Eu dispenso a preocupação. Você não entende que, ela tirando você de mim já tá me arruinando? Você é a minha ida, minha razão, meu chão... Preciso ter você ao meu lado.

Eu vejo que Cris começa a chorar, silenciosamente; ele fica de costas para mim, para eu não ver seu choro. Abraço-o por trás. Ele vira. O beijo. Nos olhamos por intensos segundos.

“As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar.”
 

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