De Madrid a São Paulo.
         Capítulo 31

   “Mais difícil que dizer adeus, é ouvir alguém que você ama dizendo.”

-        Já almoçou? – Perguntou-me Cris.
-        Ainda não, meu príncipe... Por quê? – Respondi.
-        Espera aí, vou pegar um casaco. Fique aí! – Disse Cris.

Ele subiu as escadas, não demorou muito e já estava ali parado diante de mim, na sala. Fomos para um restaurante. Pedimos ‘Bacalao um Madrilena la’ (O peixe bacalhau é cozido com batatas, tomates, alho, cebola, azeite, água, pimenta preta, e um pouco de farinha.). Estava chovendo e fazia um frio daqueles, Cris me deixou em casa, e seguiu para a sua. Dormi a tarde toda. Acordo e ligo a televisão.

“Ian Somerhalder tá de namorada nova. Helen é o nome dela.”

-        Uau! Quem diria que Helen iria namorar Ian. Tá podendo. – Disse sentando-me.

Ah que tarde entediante com chuva então... Meu celular toca. ‘Cris<3’ no visor.

”- Oi? – Disse.
-        Preciso conversar contigo. – Disse Cris.”

O tom de voz dele era preocupante. Na hora marcada, nos encontramos.

-        Não podemos ficar juntos, não agora. – Afirmou Cris.
-        Como assim? – Disse indignada.
-        Olha, meu filho com Irina nasce daqui a menos de um mês. Eu ainda não sei como vai ficar tudo... Ainda to perdido...
-        Mas eu to aqui, eu to aqui pra isso, pra te dar força... Pra te dar chão!
-        Eu quero te fazer feliz, muito feliz... Ás vezes acho que não estou cumprindo esse meu desejo.
-        É claro que está! Você é o motivo de minha felicidade.
-        Eu sei que ainda sente algo por Henrique...
-        Por que isso agora?
-        Lembro do nosso primeiro beijo... Você nunca encontrará a pessoa certa, enquanto não deixar a pessoa errada ir embora.
-        Você está me chamando de “pessoa errada”?
-        Não entenda mal.
-        Não entenda mal? Ah por favor né Cristiano. Simplesmente, eu não estou entendendo mais nada!
-        Não podemos ficar juntos! Tenho um filho para criar, e esse filho vai me fazer lembrar que não é seu.
-        Você fala como se eu tivesse te obrigando a fazer isso.
-        Não queria que fosse assim... Sabe, não tá sendo fácil abrir mão da minha felicidade. Você é nova ainda... Tá cedo para se prender a uma pessoa que não sabe o que quer...
-        Então é isso. – Disse enxugando uma lágrima que sem perceber acabou rolando em meu rosto. – Você não sabe se me quer... Então tudo o que vivemos, tudo o que você me disse... Era uma ilusão!
-        Aline... Aline volta aqui!

Eu corri, corri para bem longe, corri até não ter mais forças.

-        Meu Deus, por que? Por que vida? Por que tens feito isso comigo? Qual é o teu problema felicidade? Por que? Por que? – Disse chorando, e caindo ao chão, de tanto chorar, já soluçava.

A sensação de vazio, coração acelerado, lembranças voltando. E agora? Agora, tenho que conseguir limpar essa bagunça que ele deixou… Será que é tão difícil ser feliz? Acho que meu nome não consta na lista de felicidade, só pode.
E à noite as lágrimas surgem para lembrar daquilo que não posso esquecer. Seria o fim? Eu me alimentava excessivamente, eu comia, mas depois ia discretamente ao banheiro e jogava tudo fora. Estava ficando enfraquecida.
Certo dia, desmaiei no meu quarto. Nilmar me levou ao hospital.

-        Como ela está doutor? – Disse Nilmar.
-        Ela está com bulimia! – Disse o doutor.
-        Bulimia? Mas como assim?
-        Bom, no caso de Aline, a bulimia ainda não atingiu o estado de ‘bulimia nervosa’. Ela sofreu algo emocional por esses tempos? Isso pode ser a causa disso tudo.
-        Sim.
-        Suspeitava dessa hipótese, bom, a recuperação vai ser demorada, mesmo ela não ter bulimia nervosa, mas é caso sério.
-        Ok doutor, o que posso fazer?
-        Você como irmão, tem que explicar a situação o quanto é grave... E que se ela continuar, vai se agravar o caso, ficará feia... Eu acredito que aquela bela jovem não vai querer perder a beleza radiante que possui.
-        Verdade, posso visitá-la?
-        No momento não, ela passará a noite em observação. Amanhã cedo, poderás vê-la.
-        Ok, e obrigado.

O médico se retira. Eu estava no quarto, acordada, pensando muito... Vai tristeza, vai embora… Deixa que a felicidade, isso é, se ela existir para mim, tome conta de mim.

“Lembrar é fácil pra quem tem memória, esquecer é difícil pra que tem coração.”

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