De Madrid a São Paulo.
Capítulo 29
- E certamente você não queria me ver... – Disse Cris.
- Naquele momento, não. – Respondi.
Começa a chover. Resolvemos ir embora, antes que eu pudesse entrar em seu carro, Cris me puxa pelo meu braço, e rouba um beijo meu... Ah, que efeito que ele tinha sobre mim! Beijo na chuva... Chegamos em sua casa, encharcados. A chuva aumenta, Cris olha para mim com um olhar “você vai ter que passar a noite aqui.”. Não tinha escolha, já que a chuva só aumentou, era chuva com vento, árvores caíram interditando a passagem de alguns principais acessos. Ele foi tomar um banho, estava sentada no chão, quando vejo um caderno sobre a cômoda de Cris. Abro, e vi, palavras caladas.
“Aline, tá simplesmente impossível ficar sem ver você, tá apertando cada vez mais a saudade. Eu fico fingindo que estou bem, mas fico sempre a um passo de desmoronar. Mas ao mesmo tempo que a distância me deixa mal, ter você me deixa perfeitamente bem. É contraditório, é confuso. E muita gente diz que eu estaria melhor se deixasse tudo isso de lado e talvez soasse mais fácil sim, mas não quando a minha felicidade inteira se encontra em você. Se torna impossível desistir, ainda mais a essa altura. Se nem antes quando era relativamente mais fácil abrir mão, a essa altura não tem como, meu coração não deixa, não abre espaço pra mais ninguém e só pede por você. E nessa hora eu compreendo que a distância é só uma fase, que não são quilômetros que acabam com um amor, que na verdade eles o fortalecem ou o destroem de vez, no nosso caso, eles com certeza fortaleceram, o suficiente pra que quando não existir mais a distância, não existir também mas nenhum obstáculo forte o suficiente pra nos derrubar.”
“Noite fria, estou em minha cama de baixo do lençol, lendo algum livro, uma história emocionante, e de repente, você surge em meus pensamentos...”
Que palavras emocionantes! E escritas por ele... Não sabia que durante esse tempo, ele escrevia tudo o que sentia e pensava... Eu espirro...
- Ah não, gripe nem venha para cima de mim! – Exclamei.
Cris sai do banho, ele me dá uma camisa para eu vestir, nossa, ficou enorme. Parece que ele me deu a maior camisa que ele tinha. Fomos para a sala assistir um filme, um filme de comédia. No meio do filme, ele coloca seu braço direito sobre meu ombro, arrepiei-me. O incrível é que, eu ainda gelava a cada toque dele. Sinto sua macia mão tocar meu queixo. Nos beijamos, sorrimos um para o outro. Continuamos a ver o filme. Acaba. Era uma maldita noite fria, por sorte, tínhamos um ao outro para se aquecer. Ele vai em direção ao aquecedor.
- Não... Acende o fogo da lareira... – Sorri ao ver que ele atende meu pedido.
Ficamos ali, abraçados, olhando o fogo que consumia lentamente a madeira que estava na lareira. Dormimos. O dia amanhece, e com ela, o Sol. Finalmente. Visto minha roupa, dou um beijo em Cris e saio devagarzinho. Pego um táxi, e vou para casa.
- E aí como foi? – Disse Nil.
- Como foi o que? – Disse.
- Sua boba... Se não quer responder, tudo bem... Bom, to indo pro treino. Se cuida. – Disse Nil dando um beijo em minha testa.
Subi e fui tomar um banho. Helena e Laura ainda estavam dormindo. Termino o banho, ligo a televisão do meu quarto. Passava o programa ‘Todos los Nuevos’ (Tudo de Novo). Cris estava lá, a apresentadora estava em uma conversa com ele.
- O que você queria hoje? – Perguntou à apresentadora.
- Hoje? Eu queria um mimo, um cafuné, um abraço bem apertado e demorado, queria proteção, queria ela aqui comigo. – Respondeu Cris.
Ah que apaixonante... Sinceramente, eu não sei explicar o que eu vejo nele. E o que eu vejo, me agrada. É isso.
“Um dia, você será motivo dos sorrisos de alguém.”
Na casa de Cris...
- Você não pode fazer isso! – Disse Cris.
- Claro que posso... Ou você se afasta dela, ou... – Ela respondeu.
- Ou o que? – Disse Cris temeroso.
- Ou acabo com ela. Bye bye. – Ela respondeu.
Cris não tinha treino hoje, ele foi até em casa, e me levou a um parque.
- Eu nunca fui a pessoa mais perfeita, aquela que irá acertar sempre, e que vai estar todos os dias com um belo sorriso no rosto, como se tudo fosse milimetricamente calculado pra ser perfeito. Em outras palavras: eu não sabia que o amor pudesse mudar as pessoas, mudar o mundo. Mas depois que eu te conheci, tudo mudou. Sei lá, percebi que o amor é muito maior do que tudo isso... É mútuo, vago. Fica tão perto de nós, e não o percebemos. Ele se esconde naquelas coisas pequenas, as quais passam despercebidas por nós todos os dias; como o nascer do Sol. Algo tão divino, pois Deus faz com que ele nasça todos os dias, nos dizendo que é um recomeço, uma nova chance para mudar o que éramos. E a sua aparição na minha vida foi como o nascer de um Sol; cheio de luz, me mostrando que o mundo é muito mais do que quatros paredes de um singelo quarto. Você me deu direção, apoio; você acreditou em mim, e me protegeu. Percebeu agora o porquê de eu ter insistido tanto na nossa história? Não tinha motivo algum pra cada um pro seu canto e acabou; não! Algo muito forte nos uniu, e por algum motivo, não quis nos largar mais. Nós não nos largamos mais. E quer saber? Por mais defeitos que você tenha, eu não poderia ter recebido melhor presente em toda a minha vida. “Não, não é verdade” – é, é verdade sim. Eu nem sei mais o que dizer pra descrever o que eu to sentindo, ou o que eu sinto quando te vejo, mas é bom, muito bom. Só peço pra Papai do Céu que te proteja. Quero te dizer que o que eu sinto, nada nem ninguém é capaz de destruir. Mas, aconteceu uma coisa e... A gente vai ter que se separar. – Disse Cris.
- Como assim? Não te entendo... Por que? – Disse desesperada.
- É para o seu bem. Por favor. Fica bem. – Disse Cris se afastando no meio da multidão.
O que acontecera?
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