De Madrid a São Paulo.
Capítulo 5
“Sentia falta do ‘Rio Manzanares’, onde foi Madrid foi edificada. E a ‘Exposição de Arte Contemporânea’? Todo ano, os artistas espanhóis e de todo o mundo se reuniam na ‘Feria de Madrid’ para apresentar suas obras. Ano passado eu fui, com Nilmar, Laura e Helena. Me lembro que Helena chorava, queria ir embora, resolvemos todos, deixar aquela exposição e ir para o ‘Plaza Mayor’, que é a praça maior. Ali brincamos com Heleninha, rimos... Um momento incrível, mágico e único. E a ‘Tomatina’? Bom, a festa tradicional, sempre acontecia em Buñol, 300 quilômetros a sudeste de Madrid. Era muito ver todo lambuzados com tomate, e nas ruas só se ver tomate espalhado. Sentia falta daquelas grandes construções arquitetônicas e históricas. Posso dizer que fui feliz na Espanha, e principalmente em Madrid. Ah Madrid, como sinto sua falta, não sei se vou aguentar viver longe de você.”
Apenas sorri com meus pensamentos, coloquei ‘Madrid’ para tocar, chorava de saudades. Olhava as fotos que foram tiradas lá. Fui para a sacada. O vento acariciava meu rosto. Que bom seria se São Paulo fosse do lado de Madrid. Acho que o fato de ser tão apaixonada por aquela cidade espanhola era que eu nasci lá. Mas isso não explica o tamanho desejo de sempre estar ligada a Madrid. Mas, eu quis voltar para o Brasil, sentia falta daqui. Meus pensamentos foram interrompidos por uma chamada no interfone. Atendo, disseram que eu teria que descer, pois havia algo para mim. Assim fui.
- Senhora Aline Honorato da Silva? – Perguntou o moço.
- Sim! – Respondi.
- Bom, essas flores aqui são para você.
- Para mim? – Respondi espantada.
- Sim, mandaram entregar. Não me pergunte quem foi, porque não irei responder. Agora tenho que ir. Tenha uma boa noite.
Eram tulipas, vermelhas e amarelas. Chorei, pois olhava aquelas flores e me lembrava do Jardim Botânico Real, local onde passava um bom tempo das minhas tardes. Voltei para o apartamento.
- Que flores lindas são essas? – Perguntou Larissa.
- Lindas né? Eu sempre as via no Jardim Botânico lá de Madrid... Bom, não sei quem me mandou... O cara que as entregou disse que não iria falar quem as mandou. – Respondi.
- Minha amiga tem um admirador secreto e eu não sabia? – Disse Letícia.
- Né, quem dera eu ter um. – Disse Larissa.
- Mas você tem. Só que o esnoba, e não dá valor para ele. – Indaguei.
- Ah Line, não começa a falar do Neymar de novo. – Criticou Larissa.
Fui para meu quarto, fui dormir. Era quinta, queria que sexta chegasse logo, tinha umas coisas para resolver, e estava animada para a festa de Lucas no sábado.
Sexta amanhece. Abro as cortinas e a janela, comecei a lembrar da paisagem que via quando acordava em Madrid, e ficava mais linda e perfeita no outono, onde as folhas ficavam marrons, deixando a paisagem magnífica. Vou para o banho. Deixei a água correr pelo meu corpo. Abro uma página na internet, e vi aquela manchete ‘Nilmar, jogador do Villarreal renova o contrato com o clube, pois propostas de voltar ao Brasil não teriam dado certo’. Chorei. Não teria meu irmão, minha tia e sobrinha por perto. Na verdade, eles eram a minha família, meus pais, ah, eu não era ligada a eles. Mas ás vezes me perguntava ‘Por que não volto para Madrid?’, mas me lembro da minha intuição, a algo que me prende aqui. Não posso voltar sem antes descobrir, até isso, chorarei com as lembranças e saudades daquela cidade, pela qual tenho uma paixão.
Fazia calor, resolvi vestir um look básico para ir a faculdade, vesti um short boyfriend, uma regata cinza. Calcei uma rasteirinha, peguei minhas coisas, minha bolsa branca, e segui para a faculdade.
- Você não vai tomar café da manhã, não mocinha? – Perguntou Letícia.
- Não, eu como alguma coisa quando chegar na faculdade. Beijos amo você. – Respondi.
Estava no taxi, perdida em meio aos papéis da faculdade, quando recebo uma sms. Sorri ao ver quem era. Era Cristiano Ronaldo. A mensagem dizia ‘Que saudades de você. Volta logo para Madrid’. É, eu confesso que ainda sentia algo por ele, mas, não tenho mais a certeza que ele sente o mesmo, afinal, ele está namorando. Respondi a sms, e desci do taxi. Fui direto para a cantina da faculdade, onde encontro Débora.
- Bom dia. Hum que carinha feliz é essa? – Disse Débora.
- Bom dia! Recebi uma sms do Cris... Ainda sinto algo por ele, não posso negar. – Respondi.
- É, tá na sua cara isso. Só não entendo, por que você acha que é pouca para ele. – Indagou Débora.
- Ai, não querendo ser chata, mas, vamos mudar de assunto? – Respondi.
- Claro.
É, eu sempre achava que era pouca para o Cris... E até hoje acho. Acho que não sou o melhor para ele.
As aulas terminam, pego um táxi para voltar para casa. Deparo com uma cena. Uma criança chorava. Pedi para o táxi parar, desci, e fui ver qual o motivo do choro daquela linda menina.
- Ei, qual o seu nome? – Perguntei.
- Eloíze. – Ela respondeu.
- Por que choras? – Perguntei.
- Porque a minha boneca quebrou. – Disse a pequena menina de olhos azuis cinzentos.
Olhei para a boneca que havia em sua mão, peguei-a, e arrumei, a cabeça da boneca apenas havia saído.
- Obrigada! Você arrumou minha boneca. Obrigada – Disse Eloíze me abraçando
Despedi daquela jovem garotinha, e voltei para o taxi.
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